In the clouds,

with clouds
Com pessoas, essa forma de criação mais imperfeita que Deus colocou sobre a Terra, tenho deixado pra lá. Minha energia é para o texto, as plantas, os passarinhos que alimento com sementes de girassol. A minha autocura no braço, na raça, na solidão que ninguém compreende, e por isso mesmo não dói. Me dóem as feridas físicas, as queimaduras de nitrogênio líquido pelo corpo. Tenho visto anjos, sa’s?
E as fadas também existem, baby. (Caio Fernando de Abreu, Carta a Jacqueline Cantore). Talvez um "olá", mas depois "até logo", quem passa por aqui nunca fica muito tempo mesmo. Olha a vida, é a mesma coisa. Uma intensa viagem; cheia de idas e vindas, e passageiros confusos, apressados. Sem medo de embarcar, sem medo de ir. Uma vez ou outra, com saudade na bagagem.

Sorrir. Quem me dera fosse apenas uma expressão qualquer, o mostrar de uma porção de dentes. Infelizmente tenho em mente que é muito mais do que aparenta. É difícil. E tem se tornado complicado. Quase impossível para minhas maçãs um tanto pesadas. Uma sombra por vezes toma conta do meu rosto, e por vezes me sinto invisível. Quem me dera, só sinto mesmo. Por fora o que alguns vêem é um olhar cansado e um bocejo de lado. E nem chega a ser preguiça. Bom, talvez. Talvez preguiça de sentir preguiça, de viver. Ultimamente me canso de tudo, e muito facilmente. Só não desisto do texto porque.. Puxa, quase desisti. É melhor nem pensar o por que. Minha cabeça está cansada demais pra tudo isso. Mas que preguiça boa, que vontade de dormir. E quem sabe acordar em outra dimensão. Seria divertido. Ao menos pra fugir da mesmice dos meus dias. As pessoas, os dias, tem me cansado demais. Mas ainda sobre os dentes, por vezes eu deixo “um” escapar. Uma pequena porção de dentes aparece. Mas nem é felicidade, é um esforço maior. Talvez eu não queria que saibam. Que saibam do que perdi. Pois diriam; olha lá aquele corpo vazio andando pela rua, dizem que perdeu a alma, perdeu-se de seu dono e agora vive assim, andando pelas ruas feito sombra do sol.. com um sorriso forçado e um olhar cansado. Triste. Triste. E muito cansativo. 


Passo metade do dia odiando minha vida e querendo ser sugado pela minha própria insignificância. A outra metade passo rindo do quanto sou dramático e exagerado.
Tati Bernardi. (via b-ipolarsociety)


Você foi minha garganta seca, o tremor das minhas mãos e também minha insegurança. Foi minha voz falha, meu pulso forte, minha falta de palavras. Foi meu sorriso dos lábios, e também dos olhos. Foi cada palavra cantada em um verso de amor. Foi meu perfume preferido, meu abraço mais comprido. Foi meu romance de cinema, meu amor. Foi meu céu e meu chão. Foi mais que algo descritivo, você foi minha insensatez, minha perca de razão. Foi minha lágrima indesejada, dor insaturada, minha insonia repentina. Foi minhas palavras riscadas, minhas páginas rasgadas, minha saudade infinita. Foi meu ego ferido, meu coração partido, foi esperança perdida. Foi minha falta de vontade, minha obscuridade.. minha ferida mais doída. Foi. Hoje eu tiro do armário algumas caixas amassadas, cheias de lembranças.. que de tanto lembradas se tornaram cansadas. Hoje, você é um nome na minha agenda. Lembrança esquecida na gaveta, simplesmente por querer. É mais um rosto entre outros, que eu vejo às vezes por esboço, e que quase consigo esquecer. E já nem sinto a ânsia de que poderia haver mudança naquele tempo passado. Se amizade não restou, talvez porque muito se amou, o que há de pensar? É meu passado relembrado, em linhas curtas de um verso falho, amarrado às pontas de vírgulas mudas. 


Eu não queria destruir nada, nem ninguém. Só queria sair de fininho pela porta dos fundos sem causar alvoroço nem consequências.
Comer, Rezar, Amar.   (via apenasentimento)

Mas é uma rotina abatida, rotulada, insolúvel. Feito presente ainda na caixa, intacta. É roteirística a manhã seguinte. - Acordar com o sol no rosto, e uma preguiça boa. Revirar as pernas para o outro lado, estralar as costas, suspirar, e enfim, pensar. Pensar no meu ontem, no meu hoje. Quem sabe um plano rápido sobre o meu dia, mas é raro quando o sigo. E então eu levanto, pensando que talvez, por um descuido, as coisas mudem. Mas seria necessária a mudança? É cômodo do jeito que está. A gente não percebe, grita “liberdade” “novo dia” mas segue o roteiro, pré-escrito entre a preguiça de um corpo cansado. É como um escritor fracassado, aposentado antecipadamente por invalidez; falta de ideias. Vivemos dias iguais, sim, sempre iguais. - E tomando um pouco de café eu dou uns passos lentos pela casa, olho pela janela e me contento com o barulho dos carros. Quase sempre dentro de casa o silêncio é quem reina. E daí eu descubro que será igual. Hora sorrir; hora chorar. Eu ganho alguém, perco outrem. E então eu canto para refletir, espero a lua chegar. Ela trás consigo a passividade, o devaneio. E não mais reclamo, longe disso. Me sinto bem. Certo dia, é claro, me sinto melhor. Mas não consigo planejar, pensar que ficaria feliz “só assim” ou “só com aquilo”. Deixa assim, me acostumei.   




“Nosso relacionamento - e sentia isso com um peso no meu peito - estava começando a se parecer com o giro de um pião de criança. Quando estávamos juntos, tínhamos o poder de mantê-lo girando e o resultado era beleza, magia e um sentimento quase infantil de espanto; quando estávamos separados, o movimento começava a desacelerar. Nós nos tornávamos vacilantes e instáveis, e sabia que tinha de encontrar um modo de nos impedir de tombar.” 

                                                                                            - Querido John